Vitaminas e Minerais


Vitamina



B2

A vitamina B2, mais conhecida como riboflavina, é uma das vitaminas hidrossolúveis do complexo B. Tal como as outras vitaminas deste complexo, o nosso organismo apenas armazena pequenas quantidades no fígado, coração e rins e por isso é recomendada a sua ingestão diária, de forma a manter uma dieta equilibrada. Quando são consumidas quantidades excessivas de vitamina B2, ou não é absorvida ou a pequena quantidade que foi absorvida é excretada na urina1-3.

No seu estado puro, a riboflavina apresenta-se normalmente sob a forma de pó cristalino de cor amarela ou laranja e quando exposta à luz ultravioleta fica naturalmente fluorescente. É uma molécula fotossensível, degradando-se na presença da luz. É também utilizada como corante alimentar, sob a forma de E101 ou E101a (forma fosfatada)4-7.

A vitamina B2 é convertida no organismo em duas das principais coenzimas: FAD (flavin adenine dinucleotide) e FMN (flavin mononucleotide), as formas ativas da vitamina. Estas coenzimas desempenham papéis importantes no metabolismo de gorduras, proteínas, fármacos e esteróides, na produção de energia através da cadeia respiratória e no crescimento, desenvolvimento e função celular1.

Algumas bactérias presentes no cólon sintetizam esta vitamina. No entanto, o seu contributo em termos nutricionais não está, ainda, completamente esclarecido. Sabe-se, no entanto, que a produção desta vitamina é maior após a ingestão de alimentos de origem vegetal1,2,4,8.

O organismo humano é incapaz de sintetizar esta vitamina, pelo que deve ser ingerida através dos alimentos. Ela existe naturalmente no fígado, ovos, leite, carne e vegetais de folha verde (brócolos, espinafres, espargos, etc.)1,2,4.

Nos países em desenvolvimento, o consumo de vegetais verdes constitui a principal fonte de riboflavina, enquanto que nos países desenvolvidos são os produtos lácteos a fonte primária9,10.

Alimento

Conteúdo em vitamina B2 (Riboflavina)

Fígado

3,50 mg/100 g

Ovo

0,30 mg/100 g

Brócolos

0,20 mg/ 100 g

Leite

0,17 mg/100 g

Iogurte

0,16 mg/100 g

Espinafres

0,14 mg/100 g

Fonte: Adaptado de Gerald F. Combs, Jr.The Vitamins_Fundamental_aspects_in_nutrition_and_health. Third edition. Elsevier AP. 200811

A vitamina B2 é estável ao calor e por isso, processos como esterilização pelo calor e cozedura não alteram o conteúdo dos alimentos nesta vitamina. Também não é alterada em meios de oxidação ou acidez. É, no entanto, alterada por substâncias alcalinas (por ex: adição de bicarbonato de sódio à agua de cozedura dos vegetais) e é sensível à luz, razão pela qual o leite não é geralmente armazenado em recipientes de vidro transparente mas em embalagens opacas protegendo-o da exposição à luz solar1-4.

Por ser continuamente excretada na urina, um baixo consumo de riboflavina leva facilmente a uma deficiência nutricional nesta vitamina, embora tal deficiência seja sempre acompanhada por deficiências noutras vitaminas. Existe maior propensão a uma deficiência em vitamina B2 quando a dieta é pobre em produtos animais1,9.

A avitaminose associada à deficiência em riboflavina denomina-se ariboflavinose. Pode resultar de uma dieta pobre em riboflavina, má absorção intestinal desta vitamina, incapacidade de a metabolizar ou excreção exagerada na urina, sendo a principal causa a alimentação inadequada. Esta carência manifesta-se por sinais e sintomas gerais como perda de apetite, fraqueza muscular, doenças de pele (dermatite seborreica, hiperpigmentação da vulva e escroto), anemia, edema da boca e da garganta, feridas nos cantos da boca, lábios inchados e gretados, queda de cabelo, olhos irritados e vermelhos, degeneração do fígado e sistema nervoso, e sintomas oculares (cataratas)1,4,8.

Nos países desenvolvidos a carência nesta vitamina ocorre com maior frequência em indivíduos que sofrem de alcoolismo uma vez que a sua dieta é muitas vezes deficiente levando a esta e outras carências1.
A fototerapia de crianças com icterícia pode conduzir a uma deficiência nesta vitamina por foto-destruição da riboflavina1.

No caso de pessoas com uma dieta vegan, que não inclui qualquer alimento de origem animal, podem surgir também casos de carência em riboflavina. Em pessoas com doenças crónicas debilitantes (febre reumática, tuberculose, endocardite bacteriana subaguda, etc), diabetes, hipertiroidismo e cirrose hepática, esta situação também se pode verificar1.

 

Idade

Masculino (mg/dia)

Feminino (mg/dia)

Lactentes

0-6 meses*

0,3

0,3

7-12 meses*

0,4

0,4

Crianças

1-3 anos

0,5

0,5

4-8 anos

0,6

0,6

9-13 anos

0,9

0,9

Adolescentes

14-18 anos

1,3

1,0

Adultos

19 anos ou mais

1,3

1,1

Grávidas

A partir dos 14 anos

-

1,4

Mulheres a amamentar

A partir dos 14 anos

-

1,6

*IA: ingestão adequada: não existem estudos que permitam estabelecer o VRN, mas estes valores garantem uma nutrição adequada.

As enxaquecas muitas vezes causam uma dor latejante numa zona da cabeça. Pensa-se que a alteração da função mitocondrial pode ser uma das causas de alguns tipos de enxaquecas. Assim, como a riboflavina é necessária à função mitocondrial, alguns cientistas estão a estudar o seu potencial na prevenção ou tratamento da enxaqueca1.

Embora a evidência seja considerada fraca, a Sociedade Canadiana de Cefaleias recomenda 400 mg de riboflavina por dia para prevenir a enxaqueca uma vez que existe alguma evidência dos benefícios e os efeitos adversos são mínimos (alteração da cor da urina)1.

A probabilidade de ocorrer toxicidade por vitamina B2 é muito baixa, por isso, não é esperado que ocorram casos de hipervitaminose. Isto deve-se provavelmente à sua limitada solubilidade e capacidade para ser absorvida ao nível do aparelho digestivo. Não significa, no entanto, que não possam ocorrer reações adversas decorrentes da toma excessiva de suplementos que a contenham, por isso as doses diárias recomendadas devem ser respeitadas1.

Sintomas de uma dose mais elevada de vitamina B2 incluem prurido, sensação de dormência, ardor ou picadas na pele e ainda hipersensibilidade à luz solar3.

A vitamina B2 em excesso pode diminuir a eficácia de fármacos antineoplásicos (anticancerígenos), como é o caso do metotrexato e da doxorrubicina3,12.

Os medicamentos diuréticos podem aumentar a perda de riboflavina através da urina e por isso diminuir a sua quantidade no organismo. Sabe-se ainda que o álcool também contribui para a diminuição dos níveis de vitamina B23,12.

A riboflavina é mais eficaz quando acompanhada das vitaminas B6, C e niacina3.

A vitamina B2 foi inicialmente confundida com as outras vitaminas do complexo B.
Foi descoberta no fim do século XVIII, por Wynter Blyth, durante uma análise do leite de vaca, denominando-a de “lactocromo”. Posteriormente, outros nomes foram dados a esta vitamina, como lactoflavina, ovoflavina, hepatoflavina, verdoflavina e uroflavina, dependendo do material onde foi encontrada. O nome atual reflete a presença de uma cadeia lateral ribitilo e da cor amarela do grupo flavínico (do latim flavus, que significa "amarelo").

  • 1879 - Blyth isola o lactocromo, um material hidrossolúvel amarelo, fluorescente, a partir do soro do leite.
  • 1932 - Warburg e Christian extraem uma enzima amarela da levedura de cerveja e sugerem que ela pode desempenhar um papel importante na respiração celular.
  • 1933 - Kuhn, György e Wagner-Jauregg obtêm um pigmento amarelo cristalino com propriedade promotoras do crescimento a partir da clara de ovo e do soro do leite, o qual identificam como vitamina B2.
  • 1934 - Kuhn e os seus associados em Heidelberga e Karrer e os seus associados em Zurique sintetizam a riboflavina pura.
  • 1937 - O Conselho para a Farmácia e Química da Associação Médica Americana dá à vitamina o nome de “riboflavina”.
  • 1937 - Theorell assegura a estrutura do mononucleótido de flavina (FMN).
  • 1938 - Warburg e Christian isolam e caracterizam o dinucleótido de flavina-adenina (FAD), e demonstram a sua participação como coenzima.
  • 1941 - W. H. Sebrell e V. P. Sydenstricker reportam as primeiras observações de arriboflavinose no Homem.
  1. https://ods.od.nih.gov/factsheets/Riboflavin-HealthProfessional/ - National Institutes of Health. 2016
  2. https://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/002411.htm - Medline Plus. 2015
  3. Mindell, E., Tudo sobre as vitaminas. Plátano. 1991 pags. 45-46; 218-220;255-258
  4. Le Grusse, J.; Watier, B., Les vitamines – Données Biochimiques, nutritionneles et cliniques. Centre D'Etude et D'Information sur les Vitamines.1993. pags 145-162
  5. http://www.food.gov.uk/science/additives/enumberlist - Current EU approved additives and their E Number. 2016
  6. Al-Shammarya, F. J., Zubair, M. U.,  Mian, M. S.,  Mian, N. A. A. Analytical Profile Of Riboflavin. Analytical Profiles of Drug Substances. Volume 19, 1990, Pages 429–476
  7. Oster, G., Bellin, J. S., Holmström, B., Photochemistry of riboflavin. Experimentia. 1962, Volume 18, Issue 6, pp 249–25
  8. Goodman & Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. 9ª edição. Secção XIV (62)
  9. Allen, L. H. B Vitamins: Proposed Fortification Levels for Complementary Foods for Young Children. J. Nutr. 133. American Society for Nutritional Sciences.
  10. Powers, H. J. Riboflavin (vitamin B-2) and health. American Journal of Clinical Nutrition (2003) 77: 1352-1360. American Society for Clinical Nutrition.
  11. Gerald F. Combs, Jr. The Vitamins_Fundamental_aspects_in_nutrition_and_health. Third edition
  12. http://umm.edu/health/medical/altmed/supplement/vitamin-b2-riboflavin - University of Maryland Medical Center. 2015