Vitaminas e Minerais


Vitamina



B6

A vitamina B6, também denominada piridoxina, é uma das vitaminas hidrossolúveis do complexo B. O nosso organismo armazena doses muito pequenas desta vitamina por isso é recomendada a sua ingestão diária, de forma a manter uma dieta equilibrada1.

O termo vitamina B6 refere-se a 6 compostos, nomeadamente: a piridoxina ou piridoxol (um álcool), o piridoxal (um aldeído), a piridoxamina (uma amina) e as suas formas fosforiladas.2-4

A vitamina B6 existe em variados alimentos e por isso a sua carência é rara4.
Desde o ano de 1940 que a piridoxina é utilizada para o tratamento das náuseas em grávidas5.

A vitamina B6 participa em vários processos metabólicos (metabolismo das proteínas, hidratos de carbono e lípidos), produção de neurotransmissores, anticorpos, hemoglobina e ADN, manutenção dos níveis normais de homocisteína e influencia a ação das hormonas esteróides como o estrogénio e a testosterona1-3.

Assim, a ingestão de vitamina B6 contribui para o normal metabolismo produtor de energia reduzindo o cansaço e a fadiga, para o metabolismo normal do glicogénio e para a formação normal de glóbulos vermelhos. Contribui ainda para o normal funcionamento do sistema nervoso e do sistema imunitário e para uma normal função psicológica6.

Tal como as restantes vitaminas do grupo B, a vitamina B6 está presente em variados alimentos.
As fontes mais importantes são a carne, o peixe e o fígado. Os laticínios, os cereais, a fruta e os legumes são menos ricos nesta vitamina4.

Apesar das bactérias presentes no cólon também sintetizarem vitamina B6 esta não é absorvida7.

Alimento

Conteúdo em vitamina B6 (Piridoxina)

Fígado de vaca

0,84 mg/100 g

Nozes

0,73 mg/ 100 g

Atum

0,43 mg/100 g

Carne de porco

0,35 mg/100g

Espinafres

0,28 mg/100 g

Carne de borrego

0,28 mg/100 g

Batatas

0,25 mg/100g

Couve-flor

0,21 mg/100 g

Fonte: Adaptado de Gerald F. Combs, Jr. The Vitamins Fundamental aspects in nutrition and health. Third edition. Elsevier AP. 20088

A vitamina B6 contida nos alimentos é estável em condições ácidas mas instável a pH neutro ou alcalino, particularmente quando exposta ao calor e à luz4.

Nos processos de esterilização existem grandes perdas de vitamina B6 e quando exposta à água pode ocorrer lixiviação, com consequentes perdas.

A vitamina B6 é estável durante o armazenamento dos alimentos, por exemplo a farinha de trigo armazenada à temperatura ambiente ou a 45ºC retém cerca de 90% da vitamina9.

A carência em vitamina B6 é rara, geralmente está associada também a baixos níveis de outras vitaminas do complexo B, nomeadamente, vitamina B9 e vitamina B12. Quando aparece normalmente resulta da conjugação da diminuição do aporte (nos alimentos), diminuição da absorção e interações medicamentosas ou presença de algumas patologias (artrite reumatóide, alteração da função renal, etc.). Doentes que sofrem de alcoolismo apresentam com frequência deficiência nesta vitamina2,4.

Os sintomas de carência incluem fraqueza, insónias, confusão, depressão, irritabilidade, dificuldade de concentração, perda de memória a curto prazo, inflamação na boca, lábios e língua, dermatite seborreica e alterações no sistema imunitário1,3,4.

 

Idade

Masculino (mg/dia)

Feminino (mg/dia)

Lactentes

0-6 meses*

0,1

0,1

7-12 meses*

0,3

0,3

Crianças

1-3 anos

0,5

0,5

4-8 anos

0,6

0,6

9-13 anos

1,0

1,0

Adolescentes

14-18 anos

1,3

1,2

Adultos

19-50 anos

1,3

1,3

Adultos

A partir dos 51 anos

1,7

1,5

Grávidas

A partir dos 14 anos

-

1,9

Mulheres a amamentar

A partir dos 14 anos

-

2,0

*IA: ingestão adequada: não existem estudos que permitam estabelecer o VRN, mas estes valores garantem uma nutrição adequada.

As náuseas e vómitos durante os primeiros tempos da gravidez afetam até 85% das mulheres e normalmente desaparecem após 12 a 16 semanas. A vitamina B6 é utilizada desde 1940 para o tratamento das náuseas na gravidez. A sua eficácia tem sido bem estudada e sabe-se que pode ser tomada com segurança durante a gravidez, em doses até 200mg/dia2,5.

O Congresso Americano de Obstetrícia e Ginecologia recomenda 10-25mg de vitamina B6 em monoterapia, três ou quatro vezes por dia para tratar náuseas e vómitos durante a gravidez. No caso de não existir melhoria, recomenda adicionar doxilamina. No entanto, nenhum destes componentes deve ser tomado sem consultar o médico2.

A toxicidade por vitamina B6 parece ser relativamente baixa, no entanto foi demonstrado que doses elevadas desta vitamina causam sintomas ligados ao sistema nervoso como alterações na marcha e na sensibilidade periférica. Pode ainda ocorrer sensibilidade à luz, dor de cabeça, náuseas, dor abdominal e perda de apetite10.
A amiodarona é um fármaco que aumenta a sensibilidade da pele ao sol, por isso, juntamente com a vitamina B6, pode aumentar o risco de queimaduras solares5.

A vitamina B6 aumenta a conversão da levodopa em dopamina, que ao contrário do seu precursor não consegue atravessar a barreira hematoencefálica (ou seja não passa do sangue para o cérebro). Esta vitamina pode assim interagir com o tratamento com levodopa em doentes com doença de Parkinson3,10.

A vitamina B6 pode diminuir a necessidade de insulina nos diabéticos e por isso os níveis de glicose têm de ser monitorizados, poderá ser necessário um ajuste na dose de insulina7.

Alguns medicamentos podem diminuir os níveis de vitamina B6, como é o caso dos anticonvulsivantes, contracetivos orais, eritropoietina, isoniazida e penicilamina. Por outro lado, a vitamina B6 não deve ser tomada ao mesmo tempo que antibióticos da classe das tetraciclinas porque reduz a sua absorção4,7,10.

A vitamina B6 pode ainda reduzir os efeitos adversos de alguns fármacos como a doxorrubicina e fluorouracilo, mas só deve ser utilizada juntamente com esta medicação sob supervisão médica10.

A vitamina B6 é essencial para a absorção adequada de vitamina B12 e é necessária uma maior ingestão quando a alimentação é rica em proteínas (uma vez que a vitamina B6 é utilizada no metabolismo das proteínas). Esta vitamina é mais eficaz em conjunto com as vitaminas B1, B2, B5, vitamina C e magnésio7.

  • 1935 – P. Gyorgyi descobre a vitamina B6.
  • 1938 – Várias equipas de cientistas procuram separar os vários constituintes do complexo B, e conseguem isolar a piridoxina na sua forma cristalina.
  • 1939 – É sintetizada a vitamina B6.
  • 1945 – E. E. Snell coloca em evidência a atividade vitamínica do piridoxal e da piridoxamina.
  • 1968 – São determinadas, nos EUA, as primeiras DDR (Dose Diária Recomendada) para a vitamina B6.
  • 1980 – São descritas doenças hereditárias dependentes da piridoxina, bem como as interações da vitamina B6 com as macromoléculas.
  1. https://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/002402.htm - Medline Plus. 2015
  2. https://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminB6-HealthProfessional/ - National Institutes of Health. 2016
  3. http://lpi.oregonstate.edu/mic/vitamins/vitamin-B6 - Linus Pauling Institute. 2014
  4. Le Grusse, J.; Watier, B., Les vitamines – Données Biochimiques, nutritionneles et cliniques. Centre D'Etude et D'Information sur les Vitamines.1993. pags. 197-217
  5. Maltepe, C., Koren, G., The management of nausea and vomiting of pregnancy and hyperemesis gravidarum--a 2013 update. J Popul Ther Clin Pharmacol. 2013;20(2):e184-92
  6. Regulamento (UE) N.º 432/2012 da Comissão, de 16 de Maio de 2012
  7. Mindell, E., Tudo sobre as vitaminas. Plátano. 1991 pags. 46-48; 218-220;255-258
  8. Gerald F. Combs, Jr. The Vitamins Fundamental aspects in nutrition and health. Third edition. Elsevier AP. 2008
  9. Cort, W.M., Borenstein, B., Harley, J. H., Osadca, M., Scheiner, J. (1976). Nutrient stability of fortified cereal products. Food Technol 30:52-62.
  10. http://umm.edu/health/medical/altmed/supplement/vitamin-b6-pyridoxine - University of Maryland Medical Center. 2015