Vitaminas e Minerais


Vitamina



B7

A vitamina B7, também conhecida como biotina, vitamina H ou vitamina B8, é uma das vitaminas hidrossolúveis do complexo B. Esta vitamina é essencial a todos os organismos, sendo que alguns conseguem sintetizá-la, como é o caso de algumas estirpes de bactérias, leveduras, fungos, algas e algumas espécies de plantas1.

Pessoas que consomem clara de ovo crua durante um tempo prolongado podem desenvolver deficiência nesta vitamina1.

A biotina funciona como cofator na atividade biológica de algumas enzimas1.

Esta vitamina é importante para o metabolismo dos hidratos de carbono, lípidos e aminoácidos, contribuindo para a produção de energia2.

Para além disso, a biotina contribui para o normal funcionamento do sistema nervoso, e para a manutenção de um cabelo, pele e mucosas normais3.

Podemos encontrar biotina no leite, fígado, ovos (gema) e alguns vegetais4.
A maioria das bactérias que estão presentes no intestino grosso e delgado têm a capacidade de sintetizar esta vitamina1.

Alimento

Conteúdo em vitamina B7

Melaço

108µg/100g

Rim de vitela

100µg/100g

Soja

60µg/100g

Nozes

37µg/100g

Farelo de trigo

36µg/100g

Amendoins

34µg/100g

Aveia

24,6µg/100g

Ovos

20µg/100g

Leite

2µg/100g

Fonte: Adaptado de Gerald F. Combs, Jr. The Vitamins Fundamental aspects in nutrition and health. Third edition. Elsevier AP. 20084

A biotina é instável em condições de oxidação e é destruída pelo calor. As perdas podem ser reduzidas se adicionarmos uma substância antioxidante, como a vitamina C e E4.

A deficiência em biotina é rara, mas ocorre principalmente em três situações: alimentação parentérica prolongada sem suplementação de biotina, lactentes alimentados com leite em pó sem biotina e consumo de clara do ovo crua por um período prolongado. A clara do ovo contém uma glicoproteína, denominada avidina que se liga à biotina com grande afinidade e impede a sua absorção, no entanto, quando a clara é cozinhada, esta proteína sofre alterações, perdendo esta capacidade1,5.

Existem ainda alguns defeitos metabólicos congénitos que também estão associados à deficiência em biotina1.

No caso das crianças alimentadas pela via parentérica, sem suplementação de biotina, os sintomas de deficiência nesta vitamina aparecem 3 a 6 meses após o início da nutrição parentérica, mais cedo do que acontece com os adultos, provavelmente devido ao aumento das necessidades em biotina relacionadas com o crescimento. A deficiência em biotina nas crianças caracteriza-se pelo aparecimento de erupções cutâneas, primeiramente em redor da boca, olhos e nariz. Esta condição está também muitas vezes associada a uma distribuição anormal da gordura facial. Mais tarde poderá ocorrer alopécia. Ocorrem ainda alguns distúrbios neurológicos, como letargia, atraso no crescimento e um comportamento mais retraído6.

Outras manifestações da deficiência em biotina incluem dermatite, olhos secos, conjuntivite, perda de apetite, depressão, alucinações, insónias, dormência e formigueiro nas extremidades, ataxia e convulsões1,2,6.

 

Idade

Masculino (µg/dia)

Feminino (µg/dia)

Lactentes

0-6 meses*

5

5

7-12 meses*

6

6

Crianças

1-3 anos*

8

8

4-8 anos*

12

12

9-13 anos*

20

20

Adolescentes

14-18 anos*

25

25

Adultos

Mais de 19 anos*

30

30

Grávidas

Qualquer idade*

-

30

Mulheres a amamentar

Qualquer idade*

-

35

*IA: ingestão adequada: não existem estudos que permitam estabelecer o VRN, mas estes valores garantem uma nutrição adequada.

Existem alguns defeitos metabólicos congénitos associados a baixos níveis de biotina. Nestes casos é necessária suplementação. A deficiência em biotinidase, enzima que faz com que a biotina fique disponível para a utilização no nosso organismo, é um desses casos, sendo aconselhada a administração oral de 5 a 10mg de biotina por dia1.

Verificou-se ainda que a administração de biotina conseguia reverter a alopécia provocada pela toma de ácido valpróico em crianças. No entanto, apesar da alopécia ser um dos sinais da deficiência em biotina, não existem estudos científicos que suportem a hipótese de que suplementos com doses elevadas de biotina sejam eficazes na prevenção e tratamento da alopécia em homens e mulheres1.

A ingestão de biotina não está associada a efeitos adversos2.

A necessidade de biotina está aumentada no caso de fumadores e mulheres grávidas uma vez que nestas últimas, a rápida divisão celular associada ao desenvolvimento do feto requer mais biotina1.

O uso prolongado de antibióticos pode diminuir os níveis de vitamina B7 no nosso organismo uma vez que destrói as bactérias existentes no intestino com capacidade de sintetizar esta vitamina2.

A terapêutica anticonvulsivante, nomeadamente carbamazepina, fenobarbital, fenitoína e primidona também pode baixar os níveis de biotina no organismo2.

  • 1916 – W. G. Bateman observou que os ratos alimentados com uma dieta à base de clara de ovo crua como única fonte de proteína, desenvolviam uma síndrome caracterizada por distúrbios neuromusculares, dermatite grave e perda de pêlos. A síndrome podia ser evitada com o cozimento da proteína ou com a associação de levedura e fígado.
  • 1931 – P. Gyorgyi coloca a hipótese de que a doença provocada pelo regime à base de clara de ovo crua, é provocada por uma carência vitamínica. Deu-lhe o nome de vitamina H, da palavra alemã haut, que significa pele.
  • 1931 – A forma cristalina da vitamina é isolada a partir da clara de ovo.
  • 1942 – A vitamina é sintetizada por V. du Vigneaud.
  • 1970 – Começam-se a conhecer as funções específicas da biotina.
  1. http://lpi.oregonstate.edu/mic/vitamins/biotin - Linus Pauling Institute. 2015
  2. http://umm.edu/health/medical/altmed/supplement/vitamin-h-biotin - University of Maryland Medical Center. 2013
  3. Regulamento (UE) N.º 432/2012 da Comissão, de 16 de Maio de 2012
  4. Gerald F. Combs, Jr. The Vitamins Fundamental aspects in nutrition and health. Third edition. Elsevier AP. 2008
  5. Goodman & Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. 9ª edição. Secção XIV (62)
  6. Dietary Reference Intakes for Thiamin, Riboflavin, Niacin, Vitamin B6, Folate, Vitamin B12, Pantothenic Acid, Biotin and Choline. National Academy of Sciences. 1998
  7. Le Grusse, J.; Watier, B., Les vitamines – Données Biochimiques, nutritionneles et cliniques. Centre D'Etude et D'Information sur les Vitamines.1993. pags 220-231