Vitaminas e Minerais


Vitamina



Zinco

O zinco é um mineral essencial que se encontra presente em alguns alimentos e suplementos. É necessária a sua ingestão diária uma vez que o organismo não possui reservas1.

A importância do zinco na nutrição humana e na saúde pública foi conhecida há relativamente pouco tempo. A deficiência neste mineral foi descrita pela primeira vez em 1961, quando o consumo de dietas com baixa biodisponibilidade de zinco devido aos fitatos presentes nos alimentos foi associado ao nanismo. Por esta razão, a deficiência em zinco foi reconhecida como um importante problema de saúde pública, especialmente nos países em desenvolvimento2.

O zinco está envolvido em muitas etapas do metabolismo celular. É essencial para a atividade de mais de 300 enzimas e tem um papel importante na função imunitária, síntese proteica, metabolismo dos hidratos de carbono e lípidos, participa nos processos que medeiam o metabolismo de algumas vitaminas como o retinol, piridoxina e folato, cicatrização de feridas, síntese do DNA, divisão celular e apoptose, libertação de hormonas (ex. testosterona), transmissão dos impulsos nervosos e promove a ação da insulina1-4.

O zinco contribui ainda para o normal crescimento e desenvolvimento durante a gravidez, infância e adolescência1.

Para além disso, o zinco é um componente essencial para os sentidos do olfato e paladar e tem propriedades antioxidantes1,3,5.

A ingestão de zinco contribui ainda para uma normal função cognitiva, para uma fertilidade e reprodução normal, e para a manutenção de ossos, cabelo, unhas, pele e visão normais6.

O zinco pode ser encontrado numa grande variedade de alimentos: carne vermelha e de aves, feijão, nozes, marisco (ostras, caranguejo e lagosta), cereais enriquecidos, gérmen de trigo, levedura de cerveja, sementes de abóbora, ovos e laticínios1,7.

Os fitatos presentes no pão integral, cereais, legumes e outros alimentos ligam-se ao zinco e inibem a sua absorção, por isso a biodisponibilidade do zinco a partir de cereais e vegetais é menor do que a partir de alimentos de origem animal1.

Alimento

Conteúdo em zinco

Marisco

7,14mg/100g

Queijo

2,94mg /100g

Carne

2,86mg/100g

Ovos

1,04mg/100g

Peixe

0,59mg/100g

Adaptado de: Minerals Basics. Manual. Roche Consumer Health. 19984

Perdem-se quantidades substanciais de zinco durante o processamento dos alimentos, nomeadamente nos processos de moagem do trigo e refinação do açúcar. Assim, o pão branco, açúcares refinados, vegetais e fruta contêm relativamente pouco teor em zinco10.

Não são comuns os casos de deficiência em zinco mas quando ocorre, geralmente deve-se à ingestão ou absorção inadequadas, aumento das perdas de zinco no organismo ou aumento das necessidades1.

A carência em zinco pode ocorrer em casos de doenças associadas ao trato gastrointestinal, vegetarianismo, gravidez e amamentação, ou pessoas que sofrem de alcoolismo e caracteriza-se por atraso no crescimento, perda de apetite e função imunitária alterada1.

Nos casos mais graves pode ocorrer queda de cabelo, diarreia, infeções frequentes, desenvolvimento sexual retardado, impotência, hipogonadismo nos homens, danos nos olhos e pele, perda de peso, cicatrização de feridas demorada, alterações no paladar e letargia1,3.

 

Idade

Masculino (mg/dia)

Feminino (mg/dia)

Lactentes

0-6 meses*

2

2

7-12 meses

3

3

Crianças

1-3 anos

3

3

4-8 anos

5

5

9-13 anos

8

8

Adolescentes

14-18 anos

11

9

Adultos

19 anos ou mais

11

8

Grávidas

Até aos 18 anos

-

12

19 anos ou mais

-

11

Mulheres a amamentar

Até aos 18 anos

-

13

19 anos ou mais

-

12

*IA: ingestão adequada: não existem estudos que permitam estabelecer o VRN, mas estes valores garantem uma nutrição adequada.

Doentes com úlceras crónicas na perna apresentam alterações no metabolismo do zinco e baixos níveis deste mineral no sangue, por isso, os médicos tratam as úlceras com suplementos de zinco1.

A deficiência em zinco provoca uma alteração na resposta imunitária que contribui para uma maior susceptibilidade a infeções, o que pode aumentar a probabilidade de contrair diarreia, principalmente nas crianças. Assim, a OMS (Organização Mundial de Saúde) e a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) recomendam um suplemento diário de zinco de 20mg durante 10 a 14 dias para crianças com diarreia aguda e 10mg para bebés com menos de 6 meses de idade para reduzir a gravidade da situação e prevenir novas ocorrências nos 2-3 meses seguintes9.

Em relação às constipações, foi demonstrado que o zinco é benéfico na redução da duração e gravidade desta situação em pessoas saudáveis, quando tomado nas primeiras 24 horas após o aparecimento dos sintomas. No entanto, são necessários mais estudos para determinar a dose, formulação e duração do tratamento para uma recomendação mais precisa1

A toxicidade causada pelo zinco pode ser aguda ou crónica. Na fase aguda, os efeitos que ocorrem são: náuseas, vómitos, perda de apetite, dores abdominais, diarreia e dores de cabeça1,2.

Nos casos de toxicidade crónica, teremos níveis baixos de cobre, alterações no ferro, redução da função imunitária e níveis reduzidos de HDL1.

Grandes quantidades de ferro nos suplementos podem diminuir a absorção de zinco e por isso os suplementos de ferro devem ser tomados no intervalo das refeições de modo a diminuir esta interação. Por outro lado, doses elevadas de zinco podem inibir a absorção de cobre1,2.

A deficiência em zinco está associada a uma diminuição da libertação de vitamina A a partir do fígado. Por consequência, ao elevar a ingestão de zinco, torna-se necessário aumentar também a ingestão de vitamina A2.

Há algumas substâncias que inibem a absorção do zinco, como é o caso de: fibras, cálcio, magnésio, fósforo, ferro inorgânico e fitatos; e outras que promovem a sua absorção, como: carne, metionina, cisteína, ácido cítrico e ácido láctico4.

Alguns medicamentos podem diminuir os níveis de zinco, como é o caso da cisplatina, desferroxamina, diuréticos, IECAs (Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina) e valproato de sódio1,5.

Uma vez que o zinco fortalece o sistema imunitário, não deve ser tomado juntamente com medicamentos imunossupressores como corticosteroides ou ciclosporina5.

O zinco reduz a absorção e a ação da penicilamina. Para contrariar este efeito, os suplementos de zinco devem ser tomados pelo menos 2 horas antes ou depois da toma de penicilamina1.

O zinco atua melhor em associação com a vitamina A, cálcio e fósforo7.

  • 1869 – Observou-se que o zinco era importante para o crescimento de Aspergillus niger.
  • 1933 – Demonstrou-se que o zinco era importante no crescimento dos ratos.
  • 1960 – A importância do zinco para o crescimento de várias espécies de animais foi relatada, no entanto, foi considerado improvável que a deficiência em zinco nos humanos pudesse originar problemas de saúde significativos.
  • 1974 – Foi declarado pelo National Research Council of the National Academy of Sciences que o zinco era um elemento essencial para os humanos e foi estabelecido o valor da DDR (Dose Diária Recomendada).
  • 1978 – A FDA declarou que o zinco tinha de ser incluído em todas as preparações de nutrição parentérica.
  1. https://ods.od.nih.gov/factsheets/Zinc-HealthProfessional/ - National Institutes of Health. 2016
  2. http://lpi.oregonstate.edu/mic/minerals/zinc - Linus Pauling Institute. 2013
  3. https://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/002416.htm - Medline Plus. 2015
  4. Minerals Basics. Manual. Roche Consumer Health. 1998.
  5. http://umm.edu/health/medical/altmed/supplement/zinc - University of Maryland Medical Center. 2013
  6. Regulamento (UE) N.º 432/2012 da Comissão, de 16 de Maio de 2012
  7. Mindell, E., Tudo sobre as vitaminas. Plátano. 1991 pags 95-96; 218-220;255-258
  8. http://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/62/3/408.full.pdf - Zinc. American Academy of Pediatrics. 1978, 62(3)
  9. http://www.unicef.org/nutrition/files/ENAcute_Diarrhoea_reprint.pdf - Clinical management of acute diarrhoea. World Health Organization and United Nations Children Fund WHO/UNICEF Joint Statement. 2004
  10. Prasad A.S. Discovery of Human Zinc Deficiency: Its Impact on Human Health and Disease. American Society for Nutrition. Adv. Nutr. 4: 176–190, 2013